30/04/2026

Inteligência artificial com direitos sociais é tema de debate na Conferência

“Queremos a inteligência artificial para que ela seja a favor dos direitos sociais, de quem trabalha, do nosso país”, afirmou José Vital

Fonte: Sindicato dos Bancários do Espírito Santo

O segundo dia da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias 2026 também contou com o debate “Inteligência Artificial com direitos sociais” com José Vital, comunicador estrategista e presidente do INIADS Brasil – Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais.

Fotos: Sérgio Cardoso

A mesa foi conduzida pela diretora do Sindibancários/ES, Nathalia Gallini, que fez um importante questionamento: “Em ano eleitoral, nossos candidatos a deputados e senadores estão dispostos a regulamentar as tecnologias estrangeiras?”.

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José Vital afirmou que a sociedade vive hoje a revolução digital e é fundamental que ela compreenda o que está acontecendo no mundo. “Nós estamos preparados pra enfrentar essa realidade?”, provocou.

O ser humano sempre buscou não só utilizar as tecnologias, mas utilizá-las a favor da qualidade de vida. A vida diária da humanidade é cercada de inovações tecnológicas, desde as mais antigas, como a escrita e a roda, às mais atuais, como inteligência artificial e internet, e a própria internet tem papel chave na integração dessas tecnologias para o cotidiano, pro mundo do trabalho, pra vida em sociedade e na política.

Segundo pesquisas apresentadas pelo comunicador, os sistemas de inteligência artificial estão dobrando sua capacidade a cada trimestre, apresentando um crescimento exponencial. Ao longo de 3 anos, por exemplo, esses sistemas crescerão cerca de 4096 vezes.

Diante disso, Vital faz o seguinte questionamento: “Qual é a profissão no mundo que tem qualquer escala de aprendizado, de vivência pra poder enfrentar esse desenvolvimento tecnológico? Não existe. Nós precisamos e muito da inteligência artificial. Por isso, inclusive, nós colocamos que queremos inteligência artificial para que ela seja a favor dos direitos sociais, ao nosso favor, a favor de quem trabalha, das nossas famílias, da nossa comunidade, do nosso país”.

A luta pela redução da jornada de trabalho é prioridade e é urgentíssima, como fim da jornada 6×1 e uma sequência de lutas que surgirão com uma grande rapidez. “A Revolução Industrial se inicia em 1790 com uma jornada de trabalho de 14h a 16h e, mais de 70 anos depois, em 1866, o movimento sindical define a bandeira de luta de 8h de trabalho, 8h de lazer e 8h de descanso. Frente a revolução digital de hoje, nós não temos 70 anos para estabelecer como nós vamos lutar”, afirmou o comunicador.

Vital também apresentou um estudo de caso dos bancários. No Brasil, a Febraban, Federação Brasileira de Bancos, está na linha de frente com uma visão colonial e subordinada às bigtechs: em 2024, afirmou ser contra a regulamentação da IA no Brasil em discussão no Congresso. A federação também acredita que o Banco Central deve regular esse mercado a fim de garantir que o mercado bancário alcance um nível de liberdade para desenvolver serviços e produtos financeiros mais baratos.

Empresas norte-americanas de tecnologia têm defendido a IA First, em que há uma regra básica: nenhuma contratação de profissional se, em 1 ano, a IA fizer esse trabalho. Por isso as demissões nessas empresas têm aumentado.

Hoje existem mais de 1500 sistemas que estão substituindo os bancários e bancárias. Mas essa não é uma realidade só do bancário. Empresas brasileiras de grande, médio e pequeno porte tem tratado a tecnologia como uma prioridade.

Quais as lutas diante desse cenário?

É preciso lutar para taxar programas de IA em bancos, indústrias, agronegócios e grandes atividades produtivas, criar programas de empregos públicos para trabalhadores deslocados pela inteligência artificial, construir empresas nacionais por soberania digital dos brasileiros e, principalmente, regulamentar a inteligência artificial como um serviço em benefício da sociedade.

“Já começamos a estabelecer essa agenda de luta através da realização de conferências para discutir o uso da IA com direitos sociais, questionando como proteger a sociedade e o mundo do trabalho, como reduzir a semana de trabalho para quantos dias e quantas horas, renda básica universal com quais benefícios e critérios e como os governos vão requalificar as pessoas com 50 anos ou mais para exercício das profissões”, afirmou Vital.

O papel do bancário

Encarar a questão dos direitos sociais e inteligência artificial é uma agenda do século XXI, sendo necessário dialogar e qualificar as pessoas para que elas possam se inteirar e fazer frente a essa pauta.

Para Vital, a categoria bancária está na linha de frente dessa luta por conta das demissões que estão acontecendo em inúmeros bancos públicos e privados por conta da substituição dos trabalhadores por IA. “Precisamos qualificar a compreensão da companheirada do movimento sindical, porque, infelizmente, para a maioria isso não está na ordem do dia como assunto prioritário. O papel de vocês é insubstituível. Então posso dizer que o movimento sindical e a própria sociedade estarão acompanhando os bancários do Espírito Santo e do país”, completou o comunicador.

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindibancários/ES, destacou que a categoria tem sofrido com demissões por conta da IA e que é necessário utilizar essa tecnologia em benefício da sociedade. “Um debate que eu acho fundamental aqui pra categoria é a regulamentação da inteligência artificial, até que ponto os bancos podem usar ou não. Nós não somos contra a tecnologia, mas ela precisa estar a serviço da humanidade”, afirmou Carlão.

O dirigente também enfatizou a responsabilidade na escolha dos candidatos este ano: “Na hora de eleger os deputados federais e estaduais, senadores, precisamos cobrar e ver quais candidatos tem no programa esse debate da regulamentação da inteligência artificial”.

“Precisamos dialogar e levar esse assunto para a sociedade, para que ela possa acompanhar o debate e nos apoiar na luta pela regulamentação e do uso da inteligência artificial com direitos sociais”, finalizou Vital.