Nova direção reúne representantes de diferentes estados e terá como prioridades a expansão da organização, a articulação com o movimento sindical e universidades e a criação do Observatório sobre implantação e funcionamento de Data Centers no Brasil
O Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (INIADS Brasil) realizou Assembleia Geral online que marcou uma nova etapa de sua organização, com a ampliação e nacionalização de sua direção. A reunião também aprovou a prestação de contas da entidade e definiu como uma das principais prioridades para o próximo período a estruturação do Observatório sobre Implantação e Funcionamento de Data Centers no Brasil.
Criado há pouco mais de um ano, o INIADS Brasil foi concebido como uma base operacional e organizativa para apoiar a articulação política da Frente Brasil por Inteligência Artificial com Direitos Sociais e das coordenações estaduais que vêm sendo constituídas em diferentes regiões do país.
Durante a assembleia, novas lideranças foram incorporadas ao quadro de associados e à direção da entidade. A nova composição reúne representantes de São Paulo, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Rio de Janeiro, Piauí, Espírito Santo, Paraná, Brasília e Rio Grande do Norte, ampliando o caráter nacional do Instituto.
Para a Executiva, foram definidos José Vital, como presidente; Célio Vieira, como vice-presidente; João Rufino, como secretário-geral; Kelma Rabelo, como tesoureira; e Carlos Marcos Augusto, como diretor acadêmico. O Conselho Consultivo terá Carlos Eduardo, Valéria Bari, Ana Maria Ribeiro, Fernanda Lauria e Everton Lopes. Já o Conselho Fiscal será presidido por Paulo Henrique, tendo como integrantes Iltemar Martins, Carlos Arias (Camarão), Tony Braga, Lucas Cuzinato e Alex Silva.
A ampliação foi considerada fundamental para consolidar a atuação do Instituto nos estados. Atualmente, já existem coordenações constituídas no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Brasília e Pernambuco. A próxima será Minas Gerais, com uma plenária de entidades e instituições prevista para Belo Horizonte em 10 de setembro.
Outro desafio destacado durante a assembleia é a aproximação com parlamentares e candidatos nas eleições de 2026, buscando ampliar o diálogo com aqueles que possam assumir no Parlamento a defesa dos direitos sociais diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.
Data Centers entram no centro da agenda
A assembleia destacou também uma mudança na estratégia de atuação do INIADS Brasil: além da realização de eventos e conferências, o Instituto pretende estruturar uma atuação permanente de pesquisa, acompanhamento e mobilização social.
Nesse contexto, está sendo desenvolvido o Observatório sobre Implantação e Funcionamento de Data Centers no Brasil, iniciativa que pretende reunir informações sobre os empreendimentos existentes e em implantação no país, seus impactos ambientais, sociais e econômicos e as condições das comunidades onde estão instalados.
A proposta prevê a participação de universidades, pesquisadores, trabalhadores, entidades sindicais e organizações sociais, além da criação de um portal que permita à população conhecer a localização e as características dos Data Centers e apresentar problemas e preocupações relacionados aos empreendimentos.
Segundo José Vital, a expansão desses centros exige maior transparência sobre consumo de água e energia, impactos ambientais, poluição sonora, transferência de conhecimento e geração efetiva de empregos.
No Ceará, foram citados projetos de grande porte na Região Metropolitana de Fortaleza. A assembleia chamou atenção para a necessidade de considerar as comunidades e os territórios afetados pelos empreendimentos, especialmente diante de relatos envolvendo comunidades indígenas e condições de infraestrutura local.
A iniciativa do Observatório já conta com diálogos com pesquisadores, entre eles o professor Fábio Sobral, da Universidade Federal do Ceará, e o professor Sérgio Amadeu, com quem está sendo discutida uma possível parceria com a Universidade Federal do ABC para a participação de professores e estudantes de mestrado e doutorado.
A intenção é apresentar projetos do Observatório a instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o BNDES, buscando recursos para estruturar uma equipe profissional e permanente.
Prestação de contas é aprovada
A Assembleia Geral também aprovou a prestação de contas apresentada pelo Conselho Fiscal. Conforme os dados apurados até 13 de agosto, o Instituto registrou R$ 53.700 em receitas provenientes de doações e R$ 49.448,23 em despesas operacionais e bancárias, resultando em superávit contábil de R$ 4.251,77. O saldo bancário informado foi de R$ 2.594,39.
As despesas incluíram serviços digitais, hospedagem, eventos, hotelaria, material gráfico e outros custos relacionados à manutenção do Instituto e à realização de atividades.
Durante a reunião, foi esclarecido que ainda existem compromissos financeiros relacionados à realização da Conferência Ceará por Inteligência Artificial com Direitos Sociais, realizada durante seis dias e com mais de 600 participantes presenciais, além de transmissão ao vivo.
Nova etapa
Com a posse da nova direção para um mandato de quatro anos, o INIADS Brasil inicia uma etapa de consolidação nacional. A meta é ampliar as coordenações estaduais, fortalecer a articulação com sindicatos, universidades e organizações sociais e transformar a defesa de uma inteligência artificial com direitos sociais em uma agenda permanente de mobilização, pesquisa e formulação política.
A segunda Conferência Brasil por Inteligência Artificial com Direitos Sociais está prevista para os dias 24 e 25 de maio de 2027, em Brasília, reunindo representantes do movimento sindical, universidades, organizações sociais e pesquisadores.